O Governo foi rápido a anunciar: após o abandono do projecto do TGV segue-se a construção, com início já em 2014, de uma linha em bitola europeia entre Sines e Badajoz, a fim de facilitar as exportações portuguesas para a Europa.
Desta forma, o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, pretende integrar a rede ferroviária portuguesa na da Europa além-Pirenéus, onde os comboios circulam sobre linhas com bitola de 1,435 metros, que é 23 centímetros mais curta que a bitola ibérica, cuja distância entre carris é de 1,668 metros.
"O operador não é ouvido para as decisões que são tomadas", disse Miguel Lisboa, explicando que a variável tempo não é fundamental para o transporte de mercadorias, mas sim os quilómetros percorridos que, esses sim, podem tornar o caminho-de-ferro competitivo. Por isso, diz, a "ligação natural" de Portugal para a Europa é através da Beira Alta e não por Madrid e Barcelona.
Mais cauteloso, o gestor público da CP Carga, Aires São Pedro, disse no congresso: "O espaço ibérico é o mercado natural da actividade da nossa empresa". Mas nunca referiu, durante a sua intervenção, a necessidade de uma linha em bitola europeia.
Manuel Frasquilho, ex-presidente da Refer e da Administração do Porto de Lisboa, foi também crítico da prioridade dada à bitola europeia. "Falamos muito em fazer chegar as mercadorias à Europa, mas o que devemos é centrar-nos na Península Ibérica", disse, referindo que grande parte dos tráfegos futuros de Sines terão como destino Valência e o Levante espanhol.

1 comentário:
... morre na praia seca.
Quem sabe se estão a pensar na bitola aérea de Badajoz, hein??!
Tudo é possível, neste jardim à beira-mar plantado.
Enviar um comentário