quinta-feira

O político e os patetas


No meio dos patetas, aparece um político. Esperam que ele se demita? Esperarão.
Não me lembro de uma campanha eleitoral com maior indigência política do que esta. Lá estão eles na televisão, a falar de quê? Cavaco admite que ele e a mulher não passam de dois míseros professores, dois pobres professores, que puseram as suas poupanças, as poupanças de toda uma vida, num banco onde por acaso tinham uns amigos e conhecidos, e por acaso tiveram um lucro de cento e tal por cento sem como nem porquê. Um banco ao qual devemos todos nós, portugueses, milhões de euros. Assim, nem se sabe bem como. É uma daquelas coisas que acontecem a todos, até a nós, portugueses.

Quem ouvir Cavaco acha que o homem esteve estes anos todos exilado, e nunca foi nada, nunca quis ser nada mais do que um pobre professor e um agricultor de anonas, anonas que são todas oferecidas para solidariedade social. O Cavaco primeiro-ministro dez anos, o Cavaco candidato presidencial que perdeu com Jorge Sampaio (sim, perdeu, leram bem) e o Cavaco de cinco anos de Presidência da República e de "magistratura passiva" (visto que só agora nos propõe a ativa) nunca existiram. E o Cavaco que estes anos todos continuou a usar o controlo remoto para comandar o PSD e os seus líderes também nunca existiu. Resta-nos um professor (e a sua mulher) cheio de indignação existencial perante a legitimidade política da pergunta sobre a sua relação com a quadrilha do BPN, Ler todo o artigo de Clara Ferreira Alves (www.expresso.pt)

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